Canoas desiste e Rio Grande do Sul está fora da elite do vôlei

O prazo final para as equipes informarem à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) se disputarão a Superliga 2018/19 encerra-se nesta sexta-feira. E a entidade receberá do Vôlei Canoas um “não” como resposta. A decisão foi comunicada por Almir Beltrame, diretor de Relações Institucionais do clube, e Gustavo Endres, gerente geral. Assim, o Rio Grande do Sul passa a não ter mais representante na elite do vôlei nacional. Antes, Voleisul e Bento Vôlei haviam desistido da competição em temporadas anteriores.

A CBV exige dos clubes uma taxa de R$ 16 mil e um documento garantindo que os salários foram pagos, com as assinaturas de todos os atletas e da comissão técnica da temporada anterior. Essas assinaturas tornaram inviável a participação canoense. “A Apav (Associação dos Pais e Amigos do Vôlei) não estará na Superliga. Houve consenso da diretoria de que não podemos firmar novos compromissos sem quitar os anteriores”, afirmou Beltrame.

De acordo com o dirigente, o principal motivo para a tomada da decisão foi a suspensão dos pagamentos por parte da Prefeitura de Canoas. “Desde o início, sempre saudamos nossos compromissos. Segundo o Executivo, porém, um questionamento do Ministério Público travou os pagamentos”, explica.

Gustavo Endres conta que em 10 de abril foi suspenso o termo de fomento com a Prefeitura, aprovado seis dias antes. “Dos 11 meses de salários pagamos apenas três. Até 30 de julho esperamos pagar mais três ou quatro salários”.

O sentimento de dor de um campeão olímpico

Gustavo e Almir sublinham que não há qualquer pendência documental que impeça o repasse. “Montamos o elenco baseado no acordado: R$ 990 mil para 2017/18, valor 30% inferior aos dos anos anteriores. Depois, foi exigida aprovação na Câmara de Vereadores, e a verba diminuiu (os parlamentares aprovaram repasse de R$ 540 mil pela Lei nº 6151). Até agora, recebemos apenas R$ 180 mil”, aponta Endres. Fornecedores de água, gelo, transporte e hotéis estão na lista de credores. O débito do clube gira em torno de R$ 1 milhão.

Campeão olímpico com a seleção brasileira, Endres lamenta que o Estado perca sua única equipe na elite. “Depois de nós, vieram mais dois times, que já fecharam (Voleisul e Bento Vôlei). Chegamos longe com uma equipe mais barata, mesmo com salários atrasados. E, mesmo assim, não temos apoio do empresário gaúcho. Cadê as parcerias? Tivemos gerações de jogadores campeões. Será que teremos mais daqui há alguns anos, sem equipes na Superliga?”, questiona Endres. Ele ressalta os apoios: Universidade La Salle, Lebes, Panfácil e Gedore. “Estiveram conosco”.

“Estamos tão chateados quanto eles”, diz secretário

Secretário municipal do Esporte e Lazer, Roberto Tietz (foto) tem histórico no voleibol. Com a Ulbra, foi multicampeão nos anos 90 e 2000. Ele ressalta que a Prefeitura é parceira do Vôlei Canoas, não mantenedora. “Não temos problemas de orçamento, mas, infelizmente, tivemos de suspender os pagamentos pelo questionamento do Ministério Público, que está exercendo sua função. Estamos tão chateados quanto eles (Vôlei Canoas). Gostaríamos que o projeto seguisse”, comenta o titular da Smel.

“Nosso prefeito, Busato, gosta muito do time. Afinal, o projeto Talentos do Esporte (lançado ontem à noite) é um degrau abaixo de o que eles representam”, ressalta  Roberto Tietz. Segundo ele, o MP questiona se a atividade do Vôlei é profissional. “Apoiamos todos os clubes, entidades e ligas da cidade de diversas formas, mas decidir se são equipes profissionais não é nossa função”, completa.

“É uma perda para a cidade. Lamentamos, mas precisamos obedecer as regras e, por isso, suspendemos os pagamentos”.

Equipe deve voltar à disputa da “B”

Um passo atrás para dar dois à frente. Com este lema, o Vôlei Canoas deverá enfrentar os próximos meses. O clube conseguiu três apoiadores e manterá as seis equipes de base. E, em janeiro, deverá retornar à Superliga B, que dá duas vagas na elite. “Depois de resolvermos as pendências, vamos recomeçar o trabalho visando a disputa da Superliga B, como fizemos lá atrás. O custo da disputa e o investimento em equipe é inferior e, provavelmente, caberá no orçamento”, enfatiza Gustavo Endres.

A Apav foi criada em 2009, e o Vôlei Canoas disputou sua primeira Superliga B em 2012, quando foi campeão, garantindo acesso à elite. Depois, foram seis disputas consecutivas na primeira divisão. Foram cinco idas aos playoffs (2012/13, 2013/14, 2014/15, 2016/17 e 2017/18) e apenas uma eliminação na fase classificatória (2015/16).

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